quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Até que a corrida os separe?



Acabei de ler uma matéria no site do Wall Street Journal que, para muitos corredores, vai parecer assustadora. Para mim pareceu só loucura mesmo... Uma terapeuta de casais conta que aumentou, e muito, o número de pacientes que procuram seu consultório com a relação em crise, por causa da corrida. A matéria é meio machista, a bem da verdade. Todos os casais ouvidos mostram mulheres pês da vida porque seus maridos resolveram treinar forte, colocam os tênis, partem para a rua e não param mais em casa. Uma delas conta que acorda todos os dias sozinha, porque o cara com quem se casou há anos sai antes de amanhecer para correr. A única mulher esportista ouvida na reportagem viu sua relação em crise porque perdeu bastante pesso treinando e aí percebeu que, com um corpo mais atlético, podia atrair outros homens. Gente, parem as máquinas, né? Ou o repórter do Wall Street Journal enlouqueceu ou a noção que ele tem de relacionamento é bem maluca (tem um quê de maluquice da própria sociedade americana aí, na verdade). Se um relacionamento não sobrevive aos treinos de ou de outro ou, pior, à melhora física de um ou de outro, raios, então que ele termine de vez... Quem corre e tem um parceiro sedentário sabe que é duro mesmo conciliar agendas. Mas o mesmo pode-se dizer quando só um gosta de futebol, joga pôker, adora cozinhar, faz faculdade etc. Este assunto me fez pensar em inúmeros exemplos de amigos que são megaultrafelizes juntos, um correndo e outro não (ou nem tanto). A Marisa levava livros ao Ibirapuera para esperar o André fazer seu longão de 30 quilômetros. O Marcio comprou uma bicicleta e pedala enquanto a Luciana corre (ele diz que só correria se soubesse de onde,para onde e para quê). E, no ano passado, contei aqui mesmo no Diário a história do Daniel Sarti. Treinando loucamente para uma maratona, ele passava tão pouco tempo ajudando a mulher com os filhos que, para agradecer a compreensão e apoio dela, percorreu as pirambeiras de Perdizes de modo a formar com o GPS, no Google Maps, a frase J'Taime (a Corinne é francesa, daí a declaração de amor nesta língua). Estou romântica demais (com os relacionamentos? com a corrida?) ou esse papo da terapeuta americana também lhe parece loucura?
Comentários | »

    Simone Manocchio
    07/02/2011 15h23 O problema, Apa, é a falta de equilíbrio de alguns homens e mulheres também. Eu e o Bruno (Vicari) nos damos super bem porque conseguimos equilibrar as coisas. E, quando há filhos, é mais complicado ainda porque nem sempre dá pra correr junto. Então, vai um e o outro fica com a filha e assim a gente vai treinando...
    Shigueo
    01/02/2011 21h20 Nossa, não estou conseguindo acompanhar a velocidade dos posts aqui! Há um tempo atrás vi um cara na comunidade de corridas do Orkut dizendo que o relacionamento com a esposa tinha se deteriorado pq segundo ela a corrida era a outra dele! Sei lá. Como qualquer coisa na vida, tem que ter equilíbrio e olhar a coisa por vários prismas. Ficar ensimesmado só dá problema. Tenho a ligeira impressão que se disser pra patroa que pretendo fazer a maratona de NY, ela não vai reclamar de vir junto! hehe Inté, Shigueo
    Bianca
    01/02/2011 19h40 Falou tudo! Talvez tenha um pouco de cada coisa aí: cultura machista segundo a qual casamento é sinônimo de "simbiose", cultura americana (terapeutas, jornalistas... não ...só americanos) que transforma casos individuais em "estatísticas" e "síndromes" (e não é que lendo a matéria já existe uma síndrome, a do "divórcio por Triathlon"? Poderia ser também a "síndrome do travesseiro vazio", que tal?), e relacionamentos que, de fato, não sobreviveriam mesmo se o casal permanecesse sedentário. A solução sugerida para os conflitos pela reportagem? O casal correr e se exercitar junto... Já imaginou, assistir a todos os jogos do Vasco, ler os muitos livros de psicologia, ir a todas as reuniões de trabalho um do outro, ou mesmo comer apenas o que o(a) outro(a) gosta? Aí é que eu iria correr de verdade!
    Bianca Alfano
    01/02/2011 19h29 Falou tudo! Talvez tenha um pouco de cada coisa aí: cultura machista para a qual casamento é sinônimo de "simbiose", cultura americana (terapeutas, jornalistas... não só americanos) que transforma casos individuais em "estatísticas" e "síndromes" (e não é que lendo a matéria já existe uma síndrome, a do "divórcio por Triathlon"? Poderia ser também a "síndrome do travesseiro vazio", que tal?), e relacionamentos que, de fato, não sobreviveriam mesmo se o casal permanecesse sedentário. A solução sugerida para os conflitos pela reportagem? O casal correr e se exercitar junto... Já imaginou, assistir a todos os jogos do Vasco, ler os muitos livros de psicologia, ir a todas as reuniões de trabalho um do outro, ou mesmo comer apenas o que o(a) outro(a) gosta? Aí é que eu iria correr de verdade!
    Dora
    01/02/2011 18h28 Loucura total ! Mesmo eu e o Xico correndo, muitas vezes eu tive que esperar o treino dele terminar (porque era muito mais longo do que o meu) ou ele tem que me esperar (porque eu corro muito mais devagar...). E mesmo que não corresse, juro que iria incentivá-lo. Acho que aqui em casa quem tem "ciúmes" da nossa corrida são nossos filhos ... rsrsrs

Nenhum comentário:

Postar um comentário